Adelino Mont'Alverne

Cidades Inteligentes: Mobilidade e Sustentabilidade

Dia 9 de Abril, o EL PAÍS realizou mais um evento sobre Cidades Inteligentes. Dessa vez no Rio de Janeiro, no Museu de Arte do Rio – MAR. O encontro mostrou um panorama de conceitos sobre o fenômeno, da pura colaboração à ciência dos dados.

Pablo Cerdeira, do PENSA – Sala de Idéias, abordou a importância dos dados para aumentar o nível de conhecimento da sociedade sobre o governo e vice-versa. PENSA foi uma iniciativa do prefeito Eduardo Paes, baseada em discussões com o prefeito Michael Bloomberg sobre a experiência com dados em NY.  O objetivo é “usar dados e informações produzidas por sensores e pelos cidadãos para fazer do Rio de Janeiro uma cidade mais democrática”. Foram citadas a parceria com o Waze, na qual a prefeitura recebe dados não-privados do aplicativo, como velocidade do trânsito, congestionamento, etc, e informa sobre bloqueios em ruas, eventos, acidentes, e o canal 1746, número de telefone da prefeitura para solicitação de reparos, serviços e reclamações. Trabalhando sobre os dados produzidos pelo serviço 1746, de 2010 a 2015, foi possível identificar sazonalidades nas solicitações, tipos de demandas, regiões com mais problemas, por exemplo. Visualizações podem mostrar como essas solicitações mudam no tempo e espaço. Elas mostram que tipo de serviços a população faz à municipalidade, que por sua vez pode estudar esses dados para aprimorar seus recursos. Além desses casos, foram citados também usos de dados nas áreas de saúde, educação, segurança e mobilidade.

Prof. Nelson Ebecken, da COPPE/UFRJ (foto 3, da esq. para dir.), comentou alguns pontos relacionados à produção de conhecimento a partir de banco de dados. Segundo ele, dois pontos são importantes para o tema na atualidade: 1) o barateamento dos sensores, que permite a produção de dados com custos baixos. Isso trouxe certa independência em relação às fontes de dados, já que eles agora podem ser produzidos com certa facilidade. 2) o estágio atual da ciência, de uma etapa de modelos a simulações computacionais. É possível, por exemplo, simular a forma de desenvolvimento de bactérias, sem usá-las de fato. A cidade foi apresentada como um laboratório para estudo de modelos preditivos que poderiam influenciar o desenvolvimento de infra-estrutura e serviços urbanos. Em vez do termo Big Data foi usado “Tratamento Intensivo de Dados”, mas sem nenhuma diferença muito clara de propósitos. Dados do indivíduo, dos setores públicos e privado foram colocados como fundamentais para um tipo de conjugação que produza não apenas informações novas, mas também impactantes. A atualização dos conjuntos de dados também foi apontada como uma mudança importante, já que estes não são mais estáticos, deixam de ser “data sets” e se tornam fluxos de dados, atualizados continuamente.

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